Análise da notícia do Observador “‘Discurso político não é o da verdade. Portugal devia estar a fazer mais testes’ diz fonte da DGS”
Para a minha segunda entrada neste blog, decidi dar alguma continuidade à análise que comecei previamente. Na minha primeira crítica, analisei a atuação do Governo português em função ao surto do COVID-19. O meu primeiro texto foi escrito no dia 9 de março. A essa data Portugal tinha 39 casos confirmados, enquanto que Espanha tinha 1,024 contaminados. Ao momento da minha primeira análise, era inconcebível para o cidadão comum a possibilidade do vírus poder vir a atingir as proporções que está a atingir, tanto dentro do país (com mais de 2,000 casos confirmados), como no mundo inteiro (a poucos casos de chegar aos 400,000 infetados). Nessa mesma data, o primeiro-ministro italiano tinha pedido aos seus cidadãos para não ficarem em casa, outra medida que foi chocante, mas que infelizmente tem sido a realidade na grande maioria dos estados ocidentais.
Em face da minha análise à atuação do Governo, retirei conclusões que se comprovaram erradas, uma vez que a própria natureza das coisas não deixou que fossem suficiente as limitações que tinham vindo a ser exigidas à data. Apesar de todos os cidadãos portugueses terem passados por uma fase de negação, agora é altura de começar a analisar os números. É consensual entre todos os especialistas matemáticos que a situação vai ficar bem pior do que já está, sendo que o Professor Jorge Buescu estima um número de quase 50,000 para o dia 30 de março (que nem é apontado como o pico epidémico em Portugal). Penso que não cabe a ninguém apontar o dedo pela forma como os órgãos soberanos e administrativos têm atuado em Portugal, havendo sido tomadas todo um conjunto de medidas extraordinárias, que desafiam a natureza humana de todos os titulares destes órgãos.
Contudo, nesta notícia, decidi trazer algo diferente, que para além de estar relacionada com este vírus, não é um cenário que seja novidade no panorama português. A noite passada, o Primeiro-Ministro António Costa afirmou numa entrevista que “não faltava nada, nem era previsível vir a faltar nada ou o que quer que fosse ao Serviço Nacional de Saúde”. António Costa falou de alguns números, como o número de ventiladores disponíveis e a compra à China de cerca de 500 ventiladores. A estas afirmações de António Costa, são acrescentadas algumas afirmações, como a do Secretário de Estado da Saúde que mencionou o ‘aumento significativo da capacidade de testes’. Neste artigo, todas estas afirmações são desmentidas por alguém integrado na DGS, que está em contacto próximo com o Governo neste controlo epidémico. A pessoa, que preferiu o anonimato, desmentiu estes cenários e pede à opinião pública para analisar os números, que vincam esta falta de equipamento e de testes.
Uma das grandes fundações históricas do Estado de Direito Democrático é a transparência dos governantes, e mais concretamente esta ideia vem prevista no artigo 17º do Código do Procedimento Administrativo que materializa este princípio. Cabe então vincar a ideia de que é exigida a estes titulares de órgãos políticos que se mantenham honestos, e que não queiram criar números ou invocar factos para uma questão de tranquilização da população.
A prática destes atos é descrita na língua inglesa como uma ‘white lie’, ou seja, uma mentira que tem como objetivo tranquilizar e satisfazer as pessoas. Contudo, estamos num caso de calamidade pública, ao que cabe a todos nós e especialmente a quem está a tomar grandes decisões, ser honesto.
António Albuquerque
Turma 1
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