Análise crítica notícia Expresso sobre o coronavírus
Análise crítica notícia Expresso
Coronavírus –“Tudo o que muda no estado de emergência:
despedimentos, greves, requisição, escolas e confinamento”
A conjuntura internacional tem
vindo a alterar-se, revelando que os vários países, incluindo Portugal, não
estão a conseguir lidar com os problemas levantados pela disseminação do mais
recente coronavírus.
Com a indicação de Marcelo Rebelo
de Sousa para a renovação do Estado de Emergência, em Portugal, devido à crise
sanitária causada pelo Covid-19, o Governo concentra agora, de facto, grande
poder nas suas mãos.
Desde há vários anos, mais do que
nunca, e devido a circunstâncias excecionais, se alarga o âmbito de
discricionariedade da Administração, em muitos domínios. Para além das
relevantes alterações ao ensino, a Administração Pública passará agora a poder
requisitar o auxílio de trabalhadores quer do setor público, quer do privado,
para a garantia do funcionamento dos principais setores públicos relevantes. Alarga-se
ainda a suspensão da greve aos "serviços públicos essenciais".
Imposições como estas e como o alargamento
do confinamento compulsivo a outros locais definidos pelas autoridades revelam
que, nos dias de hoje, se torna imperativo que, por questões de segurança e saúde
pública, algumas liberdades fundamentais e direitos sociais sejam restringidos
pelo Decreto presidencial, e o seu exercício controlado pela Administração. As
entidades e autoridades públicas designadas para o efeito têm agora a liberdade
e a obrigação de fiscalizar minuciosamente a atividade de privados, sejam eles
empresas ou meros particulares.
Contudo, como em qualquer atuação
da Administração Pública, nestas circunstâncias, há contornos legais que limitam,
ainda que em pouca medida, as restrições que podem ser impostas, bem como a
forma de fiscalização e as sanções a aplicar pela própria Administração. Exemplo
disso é o facto de os despedimentos dos trabalhadores públicos estarem limitados.
O Decreto restringe, face ao panorama atual, o enquadramento dos despedimentos
de funcionários públicos, pela Administração.
Concretamente, no que respeita ao
setor da educação, o Decreto deixa ao Governo e, consequentemente, à
Administração Pública uma significativa margem de discricionariedade para
alterar variados aspetos relacionados tanto com o trabalho dos profissionais
nesta área, como com a aprendizagem dos próprios alunos. Os professores,
auxiliares, secretários e outros passam agora a trabalhar em moldes muito
distintos daqueles em que trabalhavam anteriormente, nomeadamente por via
eletrónica. Os alunos, por seu lado, verão os regimes e planos de ensino, avaliações
e até mesmo de ingresso ao ensino superior alterados em pouco tempo.
O Decreto prevê ainda medidas
como a requisição civil, o controlo de preços e o "combate à especulação
ou ao açambarcamento de determinados produtos ou materiais". O
impacto na economia, no setor empresarial e nas vidas dos trabalhadores é
significativo.
A legalidade e, até mesmo, a
constitucionalidade de muitas destas medidas poderiam ser amplamente criticadas
ou questionadas, em situação normal, visto que Portugal se rege por uma
economia de mercado, por princípios de autonomia privada e por um ordenamento
jurídico no qual direitos e liberdades fundamentais imperam. Ainda assim, dadas
as circunstâncias, e decretada a emergência de saúde pública, a nível
internacional, bem como o Estado de Emergência, no âmbito nacional, os
constrangimentos a todas estas importantes garantias julgam-se não excessivos,
mas objetivamente necessários.
Ainda que se alargue muito os
avultados custos, por vezes sem capacidade financeira para tal, para manter a
economia em funcionamento e para fiscalizar a atividade dos particulares, com
vista a controlar a epidemia, e que se confira uma vasta competência e
discricionariedade à Administração Pública, ela continua a ter por fundamento e
critério a legalidade. O Decreto presidencial é o elemento chave que confere à
Administração toda uma esfera de poder. No entanto, a própria Administração
nunca poderá sair do âmbito da sua competência, mesmo durante o Estado de
Emergência, devendo recordar-se que todas as medidas que lhe conferem adicional
poder o fazem para que ela proceda, com a necessária prudência, à proteção dos particulares
e do próprio país.
Desta forma, e durante este
penoso período para a humanidade, torna-se evidente que a discricionariedade das
Administrações dos mais variados Estados representa uma necessidade ocasional,
e não uma exceção à legalidade, que confere um poder desmesurado a essas
Administrações. A lei não pode, em todo o caso, deixar de balizar a atuação
administrativa. Portanto, procurando pautar-se pelos princípios de Direito e
exigindo o respeito pela lei, as Administrações Públicas de todos os países
deverão consertar esforços para prevenir que as medidas tomadas afetem
excessivamente os particulares nos domínios mais sensíveis dos direitos
constitucionalmente protegidos, e, ao mesmo tempo, reduzir a fatalidade que esta
pandemia representa globalmente.
Mariana Fortunato – Turma 1, Nº
140118046
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